3 livros de autoras brasileiras contemporâneas
Ler mulheres é abrir espaço para novas vozes, perspectivas e narrativas que ampliam o olhar sobre a sociedade. No Pátio Batel, a curadora de cultura Suzana Vidigal indica três livros de autoras brasileiras contemporâneas que merecem estar na sua lista de leitura. Obras que atravessam temas como família, ancestralidade, pertencimento e a própria história do Brasil.
Todos os títulos estão disponíveis na Livraria da Vila, no Piso L3.
A Árvore Mais Sozinha do Mundo
No romance, a escritora Mariana Salomão Carrara constrói um retrato pungente da vida em uma pequena roça no Sul do País. A família de Guerlinda e Carlos sobrevive do cultivo do tabaco, em meio às pressões da natureza e das grandes empresas fumicultoras.
Entre silêncios e tensões, cada personagem carrega um conflito próprio: Alice, a filha mais velha, deseja escapar da lida no campo para disputar o concurso Musa do Sol; Maria, a do meio, se refugia nos estudos; Pedrinho, ainda pequeno, não fala, mas já integra a rotina das plantações.
A narrativa se alterna entre os objetos da casa, revelando, por diferentes perspectivas, um Brasil marcado por resistências, perdas e desejos.

Oração para Desaparecer
A obra de Socorro Acioli combina realismo e fantasia para narrar histórias de identidade, amor e pertencimento. Cida, uma mulher sem memória, busca reconstruir sua vida em um lugar desconhecido, enquanto Jorge encontra nela uma paixão inesperada.
Do outro lado do oceano, Joana e Miguel se reencontram em uma trama marcada pela ancestralidade e pela força do imponderável.
O texto aproxima personagens que atravessam tempos e espaços, revelando como o amor pode dissolver fronteiras e transformar destinos.

Um Defeito de Cor
Considerado um dos livros mais importantes da literatura brasileira contemporânea, Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, venceu o Prêmio Casa de las Américas e foi listado pela Folha de S.Paulo entre os 200 títulos essenciais para compreender o Brasil.
A obra narra a saga de Kehinde, mulher negra sequestrada ainda criança no Reino do Daomé e trazida à Bahia como escravizada. Em primeira pessoa, ela relata sua trajetória de dor, resistência e superação: da luta pela alforria à conquista de uma vida de negócios e de religiosidade.
Inspirada em Luísa Mahin, o romance percorre mais de 80 anos da história do Brasil, iluminando a luta dos africanos na diáspora e de seus descendentes.

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