Moda no Paraná: Mariah Viana, Luiz Gustavo Vidal e Diego Godoy no Vestir o Olhar II

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Como se constrói uma cena de moda no Paraná? Essa foi uma das questões que orientaram o quarto talk de Vestir o Olhar II. No dia 7 de outubro, Mariah Viana, Luiz Gustavo Vidal e Diego Godoy se reuniram no átrio do Pátio Batel para percorrer a história da moda no estado e refletir sobre as relações entre criação, indústria e mercado.

A conversa partiu de diferentes perspectivas para pensar os caminhos da moda paranaense, os desafios de valorização da criação e a importância de aproximar os profissionais e as estruturas que fazem parte dessa cadeia.

A história da moda no Paraná

A história da moda no Paraná passa por duas formações complementares. Em Curitiba, o ciclo da erva-mate contribuiu para a urbanização, o comércio e a consolidação de hábitos de consumo. Já no Norte e Noroeste do estado, a crise do café, em 1975, impulsionou a diversificação econômica e abriu espaço para a expansão da indústria de confecção, com destaque para cidades como Cianorte, Maringá, Apucarana e Londrina.

Essas trajetórias ajudam a compreender um dos desafios da moda paranaense: aproximar a criação e os espaços de consumo da estrutura industrial que se desenvolveu no estado.

A moda para além do produto

Ao discutir os caminhos da moda brasileira, Mariah Viana chamou a atenção para a valorização dos profissionais responsáveis pela criação. Para ele, o reconhecimento do produto precisa vir acompanhado do reconhecimento do trabalho intelectual e criativo que existe por trás dele.



Esse é um dos paradoxos da moda no Paraná: o estado participa ativamente da produção de vestuário, mas nem sempre essa capacidade se traduz em maior reconhecimento para seus criadores. Aproximar autoria, design e indústria é um dos caminhos para fortalecer essa relação.

A indústria como parte da moda

A relação entre criação e produção também esteve presente na fala de Diego Godoy. A partir de sua experiência visitando empresas no Paraná e em outras regiões do Brasil, ele destacou a importância de a indústria se reconhecer como parte integrante da moda, e não apenas como uma etapa responsável pela fabricação.

O desafio também passa pela permanência. O estado reúne talentos, iniciativas de formação e estruturas produtivas, mas ainda precisa criar condições para que profissionais construam carreiras, marcas e negócios capazes de crescer no próprio território. Produzir e formar são etapas importantes, mas não garantem, por si só, continuidade e reconhecimento.

Cultura, pertencimento e formação de público

A conversa também trouxe a dimensão cultural para o debate. Luiz Gustavo Vidal destacou o pertencimento e a formação de plateia como elementos importantes para o universo da cultura, uma perspectiva que ajuda a pensar como iniciativas ligadas à moda podem criar vínculos com o público e ampliar o interesse pela produção local.

A formação de público faz parte desse processo de aproximação. Ao criar espaços de encontro, circulação e reflexão, a moda também pode ampliar sua presença na vida cultural e fortalecer as conexões entre profissionais, iniciativas e comunidade.

Os caminhos da moda no Paraná

O Paraná tem uma história produtiva expressiva, profissionais que contribuem para a construção da moda brasileira e estruturas que podem favorecer o desenvolvimento de novos negócios. O desafio está em fazer com que esses elementos operem de forma mais integrada, conectando a autoria local à indústria, ampliando o reconhecimento e criando condições para a permanência dos talentos.

As reflexões do talk apontam para a importância de conectar diferentes frentes da moda paranaense. A valorização da criação, a participação da indústria e a formação de público aparecem como questões complementares para pensar o desenvolvimento desse cenário.

Mais do que olhar para a trajetória já construída, discutir a moda no Paraná também significa refletir sobre as relações que podem fortalecer sua presença e abrir novas possibilidades para o futuro.

Vestir o Olhar II

O encontro integrou a programação de Vestir o Olhar II, exposição que reúne arte, moda e cultura no átrio do Pátio Batel, com curadoria de Ana Carolina Ralston e produção da Ayo Cultural.

Vestir o Olhar II
Átrio | Piso L1 | Pátio Batel

Pátio Arte


Publicado por Pátio Batel em 13 de outubro de 2026


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