Branding e arte: Priscila Monteiro e André Carvalhal no Vestir o Olhar II
O último talk de Vestir o Olhar II, realizado em 14 de outubro, no átrio do Pátio Batel, explorou as relações entre arte, branding e construção de marcas. O encontro reuniu Priscila Monteiro, jornalista e especialista em comunicação e luxo, e André Carvalhal, escritor, professor e consultor de comportamento e branding, com mediação de Ana Luísa Torres, publicitária e estrategista de marcas.
A conversa percorreu diferentes estratégias adotadas por marcas de moda e luxo, discutindo como as escolhas culturais, as parcerias e os repertórios artísticos podem dialogar com objetivos de posicionamento e com as transformações do comportamento contemporâneo.

A arte no universo das marcas
A relação entre arte e moda vai além das parcerias entre artistas e marcas. Ela também pode ser percebida nos diferentes pontos de contato com o público e na maneira como uma marca constrói seu universo visual e cultural.

Essa perspectiva amplia a discussão sobre as colaborações e suas possibilidades. A escolha de uma parceria envolve considerar o contexto em que ela acontece, o público com quem pretende dialogar e o lugar que ocupa na trajetória da marca. Não existe uma fórmula única: cada associação responde a circunstâncias e objetivos específicos.
Branding e coerência nas parcerias
Antes de estabelecer uma relação com o universo artístico, é importante compreender a identidade e o posicionamento da marca. Durante a mediação, Ana Luísa Torres trouxe uma reflexão sobre esse processo e sobre como o momento de cada negócio influencia as escolhas estratégicas.

A discussão também passou pelas diferentes formas de endosso entre marcas e artistas. Uma parceria pode partir da iniciativa da marca, que escolhe associar sua imagem à de determinado artista, ou se apoiar na reputação cultural de um nome para ampliar o alcance de sua própria narrativa. A decisão depende do momento da marca e dos objetivos que orientam a estratégia.
Entre desejo e permanência
Ao refletir sobre o universo do luxo, Priscila Monteiro destacou a importância de olhar para além da venda imediata e considerar a construção de uma marca que permaneça relevante.

André Carvalhal também trouxe uma reflexão sobre a relação entre moda, comportamento e espírito do tempo. Se a moda traduz as transformações da sociedade, ela também participa da construção dos imaginários de uma época. Nesse contexto, o interesse pelo offline ganha novos significados: em meio à circulação constante de conteúdos digitais, experiências materiais, encontros presenciais e criações que existem para além das telas passam a ocupar outro lugar. Como observa André, ter tempo e ficar offline também se tornaram formas de luxo.
Essas perspectivas ajudam a pensar como as relações entre arte e branding podem ultrapassar ações pontuais de comunicação. Quando conectadas ao contexto cultural e à identidade da marca, essas escolhas podem construir vínculos e significados que se desenvolvem ao longo do tempo.

Vestir o Olhar II
Com curadoria de Ana Carolina Ralston e produção da Ayo Cultural, Vestir o Olhar II segue em cartaz até 18 de outubro, no átrio do Pátio Batel, reunindo diferentes perspectivas sobre as relações entre arte, moda e cultura.
Vestir o Olhar II
Átrio | Piso L1 | Pátio Batel
Entrada gratuita

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